Escritora portuguesa contemporânea, Hélia Correianasceu em Lisboa, em fevereiro de 1949 e cresceu em Mafra, terra da família materna.
Licenciada em Filologia Românica foi professora de Português do Ensino Secundário. Fez ainda uma pós-graduação em Teatro Clássico.
Escritora polivalente em termos de géneros e de estilos, Hélia Correia escreve romance, novela, conto, teatro e poesia e os seus livros são muito diferentes uns dos outros. “Há escritores que escrevem sempre o mesmo livro”, explica Pedro Mexia, “Hélia Correia, tendo o seu imaginário, tem livros bastante diferentes entre si”. Importante é também “o diálogo que a autora estabelece com as tradições: com a Antiguidade Clássica, sobretudo grega” e com “um imaginário que não é bem mágico, é telúrico, povoado de fadas e assombrações”, nota o crítico. “Há um lado gótico na literatura dela e referências à literatura contemporânea, que vão desde uma personagem de José Saramago até aos livros da literatura inglesa, os vitorianos, as irmãs Brontë e aos pré-rafaelitas”.
Apesar do seu gosto pela poesia, é como ficcionista que é reconhecida como uma das revelações da novelística portuguesa da geração de 1980, embora os seus contos, novelas ou romances estejam sempre impregnados do discurso poético.
Estreou-se em 1981 com O Separar das Águas e publicou ao longo da década de oitenta, além de A Pequena Morte / Esse Eterno Canto, livro de poemas escrito a meias com o seu companheiro Jaime Rocha (nome literário do jornalista Rui Ferreira e Sousa) mais cinco volumes de ficção, incluindo O Número dos Vivos (1982) e a novela Montedemo (1983), obras geralmente aproximadas do realismo mágico. Além de se ter dedicado à escrita, Hélia Correia fez também diversas traduções.
A partir dos anos 90, vieram juntar-se à sua criação ficcional várias obras teatrais, e é já no século XXI, em 2001, que publica aquele que é talvez o seu livro mais apreciado, Lillias Fraser, cuja história decorre entre 1746 e 1762 entre a Escócia e Portugal, abarcando o terramoto de Lisboa, que leva a protagonista a fugir para Mafra. O romancemereceu o Prémio Ficção do Pen Club Português 2001 e o Prémio D. Dinis 2002.
Entre múltiplas distinções, a autora recebeu em 2013 o Prémio Vergílio Ferreira pelo conjunto da obra, o Prémio Literário Correntes d'Escritas/Casino da Póvoae o Prémio Pen Club de Poesia pelo livro A Terceira Miséria, uma homenagem à Grécia, e, já em 2015, o Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco porVinte degraus e outros contose oPrémio Camões 2015, o maior galardão literário de língua portuguesa.
Obra
Ficção
1981 - O Separar das Águas
1982 - O Número dos Vivos
1983 – Montedemo (novela)
1985 - Villa Celeste
1987 – Soma
1988 - A Fenda Erótica
1991 - A Casa Eterna (Prémio Máxima de Literatura, 2000)
1996 – Insânia
2001 - Lillias Fraser (Prémio de Ficção do Pen Club,2001)
2001 - Antartida de mil folhas
2002 – Apodera-te de mim
2005 – Bastardia (Prémio Máxima de Literatura, 2006)
2008 – Conto
2010 – Adoecer (Prémio da Fundação Inês de Castro, 2010)
2014 – Vinte degraus e outros contos (Grande Prémio Camilo Castelo Branco,2015)
Poesia
1986 - A Pequena Morte / Esse Eterno Canto
2012 – A Terceira Miséria (Prémio Literário Correntes d'Escritas/Casino da Póvoa)
Teatro
1991 - Perdição, Exercício sobre Antígona
1991 – Florbela
2000 - O Rancor, Exercício sobre Helena
2005 - O Segredo de Chantel
2007 - Perdição
2007 - Desmesura
2008 - A Ilha Encantada (versão para jovens de William Shakespeare
Para a Infância
1988 - A Luz de Newton (7 Histórias de Cores)
2004 - Mopsos – O pequeno grego
2011 – A coroa de Olímpia
2011 – A chegada de Twainy




